Carine Roitfeld: Um universo muito particular

Carine Roitfeld: Um universo muito particular

Difícil dizer que a figura magra, quase sempre vestida de negro e com os cabelos casualmente (des)arrumados tem 61 anos. Juventude – e, claro, muito estilo – é o que Carine Roitfeld exala. Mas este frescor passa longe do desejar parecer ter outra idade. Ao contrário. Tudo em Carine é sóbrio, adulto. E terrivelmente cool. Famosa no mundo da moda desde que pilotou como ninguém no século XX a Vogue França, de 2001 a 2011, quando renunciou ao cargo, Carine é, em termos fashionistas, variações sobre o mesmo tema: roupas, minimalistas e sexy, na medida certa. Beleza, a mais básica. Além do cabelo ao natural, pele e boca opacas e olhos esfumados de preto. Da fila A de um desfile nas primeiras horas da manhã a uma gala, não há concessões.  


 


Ao contrário do glamour haute-couture que a inglesa Anna Wintour, editora da Vogue America, da exuberância artsy da saudosa Anna Piaggi, da Vogue Itália, ou da extravagância fashion de Anna Dello Russo, hoje na Vogue Japão, inspiram, Carine é a imagem do luxo contemporâneo, da mulher da vida real. Chiquérrima, mas real. A tradução do que seria a mulher parisiense dos sonhos de um amante da moda. Seu começo neste universo foi como modelo, carreira que descreve, com humor ácido, como fracassada. Em seguida, o amor pelas roupas a levou a atuar como stylist para a Elle francesa.


 


Nos anos 1980 vira amiga de dois jovens talentos, o fotógrafo peruano Mario Testino e o estilista texano Tom Ford, seus irmãos de alta até hoje. Quando Tom assume a Gucci, uma década depois, o trio se une e bomba a marca ao melhor estilo porno-chic, mostrando as provocantes criações de Tom em não menos ousadas fotos de Testino, tudo sob a batuta de Carine. Resultado: a combalida marca italiana tem crescimento de mais de 90%. Pouco depois, ao assumir a Vogue, ela faz a revista crescer 25%.


 


Filha de um produtor de cinema russo que conheceu o amor de sua vida em Paris, casada, mas não oficialmente, há mais de 30 anos, e mãe dos igualmente estilosos Vladimir e Julia, que se tornou o rosto do perfume Black Orchid, de Tom Ford, e há um ano deu a Carine a neta Romy, a editrix é tão inspiradora que, após ser eleita, em 2008, uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista americana Time, virou tema do (bom) documentário, Mademoiselle C., do francês Canal +, e, provando que há vida pós Vogue, criou a revista CR Fashion Book. Já na sétima edição, e desde a primeira alçada a item de colecionador, a publicação tem os seis números anteriores esgotados. Muito do seu trabalho, no entanto, pode ser visto no livro Irreverent, ótima iniciação ao reino da emblemática Carine que, no lançamento paulistano da obra, resumiu o que a faz única: “Eu penso diferente e faço diferente.”


A beleza é a mais casual possível. Pele e boca opacas e olhos esfumados de negro. O cabelo, ao natural. Nada de grandes produções

Sem medo dos ativistas, ela dá ao casaco de pele uso streetwear, o amarrando na cintura, como um moletom, sobre o vestido-perfecto com textura de pele de cobra

Peles fazem parte do guarda-roupa da editrix e ela as veste de maneira descolada e moderna

O estilo de Carine é a tradução do ideal da mulher parisiense: elegante, mas sem afetação

Da primeira fila de um desfile ao red carpet, ela mantém-se fiel ao seu DNA fashion

Jovial, Carine veste dos jovens aos veteranos estilistas com igual charme

Momento ladylike com rendas brancas. Destaque para a ousadia das meias e escarpins pretos

Carine em um grande momento “look do dia” na semana de moda de Paris

Com a filha, Julia, em momento de gala e de concessão a um dramático vermelho estampado